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Saiba como nasceram os blends

Os blends nasceram provavelmente junto com a vitivinicultura. Mesmo em uma época em que os produtores não eram capazes de diferenciar exatamente quais cepas de uvas havia em seus vinhedos, eles sabiam que algumas eram brancas, outras tintas, algumas com cachos maiores, outras menores, algumas com bagas mais arredondadas, outras mais alongadas e o conhecimento não ia muito além disso, eles percebiam que, em determinados anos, algumas produziam mais, algumas davam frutos mais doces, enfim, logo perceberam que misturando-as, criavam algo mais homogêneo.

Até hoje, há regiões em que os produtores cultivam diversas uvas em um mesmo terreno sem distinção, o que se convencionou chamar de Vinha Velha ou Field Blend (blend de campo). No Douro, por exemplo, essa sempre foi uma prática comum, que persiste e ainda hoje essas uvas muitas vezes são colhidas e fermentadas todas juntas para dar origem aos Vinhos do Porto ou também a alguns grandes tintos.

A ideia por trás dos blends , Assemblage ou vinhos de corte, à princípio, era a de “compensação”. Ou seja, durante um ano, alguma casta poderia ter sofrido mais do que outra devido a variações climáticas, sendo assim, outra, que desempenhou melhor naquele ano, entrava com mais força no blend para “compensar”. No caso, não estamos falando apenas de compensação de perdas, como queda de produção, mas de qualidade. Se uma uva não atingia um nível adequado, outra poderia suprir essa lacuna.

E dessa forma os blends foram sendo aprimorados. Hoje, com uma viticultura tão desenvolvida, a questão de quais variedades e a proporção delas que será colocada na mistura é uma decisão técnica baseada em um amplo conhecimento do que melhor pode surgir de um determinado local.


Fonte: Revista Adega

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